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Os
desfiles das grandes marcas de Nova York, Paris e Milão apresentam
modelos exclusivos dos melhores estilistas a cada Primavera e
Outono. Além dos preços altíssimos, muitas dessas criações não
parecem nada práticas, para não dizer que simplesmente não dá para
as usar. Os modelos extravagantes e exóticos que vê, na maior parte
dos casos não foram criados visando o público mas sim para chamar a
atenção do figurinista ou para a marca do que para vender as roupas
apresentadas. Por exemplo, uma colecção de grande impacto que gera
muitos comentários nos média pode promover um perfume da marca.


Mas o mundo da moda tem também o outro lado, que não pode
ser ignorado. Na tentativa de actualizar o
guarda-roupa, a
pessoa pode-se ver enlaçada num infindável ciclo de
consumismo. Afinal de contas, a indústria da moda não pára
de lançar novos estilos, e isso com razão: quanto mais
rápido uma roupa sai de moda, maior é a facturação das
grandes empresas. Como disse a estilista Gabrielle Chanel,
“a moda é feita para ficar ultrapassada”. Assim, o
consumidor incauto sente-se obrigado a comprar roupas novas
só para ficar em dia com a moda.
Há
também o perigo de se deixar influenciar pela pressão subtil da
propaganda. As grandes marcas gastam milhões de euros para promover
os seus produtos, muitas vezes associando a marca a um estilo de
vida despreocupado, livre e feliz. Essas mensagens podem ter um
forte impacto. Por exemplo, nada é mais traumático para os
adolescentes do que não ter calçado de marca. E isto é um facto.
Quem dá muita importância à moda pode ficar excessivamente
preocupado com a aparência. Somos constantemente bombardeados com a
imagem de modelos bem altas e magras. O corpo “perfeito” é usado
para vender tudo, de carros a chocolate. Segundo estimativa do
Centro de Pesquisas de Assuntos Sociais, da Grã Bretanha, “as jovens
hoje vêem mais imagens de mulheres belíssimas num só dia do que as
suas mães viram durante toda a adolescência”.
O bombardeio constante dessas imagens pode ter um efeito
prejudicial. Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo pesquisa
citada na revista Newsweek, 90% das adolescentes estavam
insatisfeitas com seu corpo. Algumas fazem praticamente qualquer
coisa para ter o "corpo ideal". No entanto, menos de 5% da população
feminina consegue atingir o ideal de peso e altura estabelecido
pelos média. Mesmo assim, a ditadura da magreza tem escravizado
milhões de mulheres jovens. Algumas desenvolvem anorexia nervosa, um
distúrbio alimentar difícil de curar. Citando a modelo espanhola
Nieves Álvarez, que teve anorexia, admite: “Eu tinha mais medo de
engordar do que de morrer.”
Vemos assim claramente que a moda tem um lado positivo e
outro negativo. Preenche o desejo humano básico de ter uma aparência
apresentável e de ter algo novo para vestir. Mas os extremos da moda
podem-nos levar a usar roupas que passam uma impressão errada de nós
mesmos. E se dermos excessiva importância à aparência, podemos estar
endossando o conceito erróneo de que o nosso valor depende da
“embalagem” e não do que somos no íntimo.
Precisamos aprender a dar mais valor à capacidade e ao
carácter da pessoa em vez de olhar apenas para a "embalagem”. Mas
não é provável que essa mudança de conceito ocorra em breve. Então,
como podemos ter um conceito equilibrado sobre moda?
A resposta, essa reside no
bom senso de cada um.
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